Comida limpa

Bom dia, segunda-feira!

Passei o primeiro final de semana no Assentamento Contestado (Lapa/PR) fazendo a coleta de dados do TCC. Mas muito mais do que isso, o sábado e o domingo foram ricos em histórias, receitas, comida da melhor qualidade e chimarrão!

Pra começar o dia feliz me deparava com os simples e deliciosos café da manhã na Escola Latino-Americana de Agroecologia, com café cheiroso passado na hora, leite saborosíssimo (e olha que tô longe de ser uma apreciadora do alimento), pão caseiro com aquela casquinha crocante e melado de cana ou doce de fruta pra passar no pão. Huuuum!

Mas o que marcou mesmo o final de semana foi o domingo. Enquanto caminhava pela estrada em busca das famílias que trabalham com agroecologia me deparei com um cachorro um tanto irritado com a minha presença por lá, fato esse que me obrigou a sair correndo e praticamente invadir a casa de uma família na tentativa de me proteger. Depois do susto veio a vergonha de ter entrado na casa daquela maneira, mas no final das contas foi extremamente produtivo. Acabei conhecendo uma família linda, divertida e acolhedora.

Como era domingo o dia era de almoço na casa da nona! Não resisti ao convite pra fazer parte do almoço e acabei provando uma deliciosa maionese de inhame, macarronada com molho de tomate e queijo meia cura e um pão que exalava um perfume incrível! Pra acompanhar, suco de amoras colhidas na árvore do fundo de casa.

A conversa durante o almoço, como não podia deixar de ser, girou em torno de alimentação, produção de alimentos, hábitos de vida em diferentes regiões do Brasil e, claro, política. Discutir as razões de uma família que optava pelo plantio orgânico ao invés da agroecologia enquanto tinha a filha ali presente que trabalhava com a agroecologia há 10 anos foi um debate muito interessante.

Ao final do almoço fui conhecer a horta da casa e me deparei com alfaces, cebolinhas, tomilhos fresquinhos e morangos!

E por falar em morangos, quando as frutas são cultivadas sem veneno é outro sabor e outra textura! Desde a primeira vez que provei um morango produzido sem agrotóxicos eu nunca mais comi um morango comprado na cidade com o mesmo prazer. Quando encontramos aquelas caixas com os morango bem vermelho é certo que a grande maioria já está imprópria pro consumo. E quando estão com um aspecto razoável o sabor é de uma acidez quase insuportável. Imaginem a minha alegria de estar na horta e me deparar com moranguinhos vermelhos assim:

Huuuuum! Só de olhar a foto consigo me lembrar do aroma e sabor adocicados e da textura tenra. Colhemos os morangos que já estavam maduros e corremos para lavá-los e desfrutar da sobremesa.

E conversa vai, conversa vem, comentei que o queijo do almoço estava muito saboroso. Acabo sabendo que ele foi feito em casa, com o leite das vacas que estavam no fundo do lote da propriedade da família. Não resisti e acabei comprando um pra trazer pra casa. Diz se não é de dar água na boca?

Apesar da quantidade de sal ser um pouco além daquela que estou acostumada é impossível não apreciar um queijo desses! Exterior durinho e o interior extremamente macio. Acho que usá-lo pra fazer pão de queijo deve ficar sensacional!

Chegando em Curitiba resolvi fazer um sanduíche simples e rápido com ele. Infelizmente não deu tempo de tirar foto pra colocar aqui, mas é bem fácil de fazer. Peguei duas fatias de pão caseiro de farinha de trigo integral, uma colher de chã de azeite de oliva, três rodelas de tomate, duas fatias de queijo e uma pitadinha de tomilho desidratado. Aqueci o azeite em uma frigideira e refoguei as rodelas de tomates até elas começarem a ficar murchas. Retirei-as e coloquei sob uma fatia do pão. Em seguida coloquei as fatias de queijo na frigideira que imediatamente começaram a derreter. Para se ter uma idéia da diferença: quando a gente faz isso com queijo mussarela, especialmente aquele comprado no mercado, parece que sai água do queijo, porque fica aquela gororoba estranha na frigideira. Com o queijo meia cura eu consegui manter a textura firme e cremosa mesmo quando joguei um pouquinho de água e abafei com uma tampa pra acelerar o derretimento do queijo. Depois do queijo derretido coloquei-o sob as rodelas de tomate e salpiquei um pouquinho de tomilho desidratado. Fechei o sanduíche com a outra fatia do pão e só depois que dei a primeira mordida que lembrei de tirar a foto pro blog. Mas aí já era tarde demais!

Sei que com essa experiência deliciosa que tive por esses dias comecei a semana revigorada! E fica a prática de que comida produzida sem veneno e com respeito à terra tem diferenças gritantes em relação a produção massificada de “alimentos” ou então daquelas coisas que vendem no mercado que algumas pessoas insistem em chamar de comida. E pensar que ainda me deparo com professores e alunos dentro dos cursos de Nutrição que se recusam ou negam essa diferença.

Minha sugestão é que como pessoas que se alimentam todos os dias essa relação com a comida seja repensada. Você prefere optar por um alimento saudável em todos os aspectos que englobam essa SAÚDE ou prefere se matar dia a dia com um alimento envenenado? A luta pra garantir um alimento com saúde na mesa pra promover saúde não é fácil mas precisa existir todos os dias.

Boa semana à todos! 🙂

Fernanda

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2 responses to this post.

  1. Posted by gualter on 26 de setembro de 2011 at 3:55 pm

    Muito Bom seu texto, tratando de sua vivência aqui, e também parabéns pela ótima visão sobre os assuntos que trata, que são de uma bela e elevada sabedoria.

    Responder

  2. Posted by Waldomiro Waldevino Peixoto on 26 de setembro de 2011 at 1:35 pm

    Filhota, além da experiência enriquecedora que você teve, seu texto é muito bom e vivo, porque relata sua experiência no calor de suas emoções, o que fez do texto também um “prato” saboroso.
    Eu fico feliz que vc esteja entendendo com tanta propriedade o valor do homem do campo. Este talvez seja um dos grandes problemas de nossa sociedade atual: o distanciamento de suas raízes. Com vc está ocorrendo o inverso: está saiando da cidade e descobrindo os valores reais da vida no campo. Isso é muito bom.
    Acima de tudo tenho orgulho de você.
    Bjs de seu Pai Coruja

    Responder

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