A refeição mais importante do dia

Desde que me conheço por gente tenho lembranças da minha mãe dizendo pela manhã que eu tinha que me alimentar porque o café da manhã é a refeição mais importante. Ao longo do tempo fui ouvindo isso em diferentes fontes e por diferentes pessoa mas nunca vi ninguém explicando o porque de ser “a refeição mais importante do dia”, além de ser um hábito intimamente associado à perda de peso. Alguém teria um palpite?

Explico: Durante o período do sono (em média 8 horas), nosso corpo retira energia para manter o funcionamento do organismo através do glicogênio armazenado no fígado.

Quando o estado de jejum é superior à 10-12 horas passa a ocorrer um processo chamado de gluconeogênese que, dentre inúmeras reações, acaba por liberar substâncias chamadas de corpos cetônicos que servem de fonte de energia para muitos tecidos, inclusive para o cérebro quando estão em concentrações elevadas no sangue. Essa liberação de corpos cetônicos acaba por interferir na secreção de insulina e também reduz a formação de uma substância chamada de triiodotironina, que é a forma ativa de um hormônio  da glândula tireóide.

A consequência disso que é a quantidade de energia necessária para seu corpo realizar as funções básicas pode reduzir em até 25%, facilitando o aumento de peso.

Percebem a importância?

Durante alguns momentos na faculdade tive contato com uma série de pessoas sempre dizendo que não tinham tempo de fazer o café da manhã. Bom, entendo isso como falta de organizar melhor o tempo. Dá pra otimizar as coisas deixando a mesa do café posta, só retirando da geladeira aquilo que for necessário ser mantido sob refrigeração. Acordar 15 minutinhos mais cedo pra fazer a refeição sentado à mesa certamente valerá a pena!

E para os que dizem que acordam sem fome pela manhã e não conseguem comer de jeito nenhum, acreditem, é questão de se habituar. Começar com um suco de frutas, uma torrada ou uma fruta já é um começo pra futuramente ser uma refeição de fato equilibrada. Hoje agradeço à minha mãe que insistia que eu comesse alguma coisa todas as manhãs antes de ir pro colégio.

E pra fechar, deixo aqui a receita do meu café da manhã de hoje! Se tem uma coisa que me deixa feliz pela manhã é banana com mel! Como estou quase de férias consegui preparar panquecas com recheio de banana e mel, mas a  massa também pode ser preparada na noite anterior e conservada em geladeira até a manhã seguinte.

Ressalto que nesta receita usei farinha de trigo refinada. Particularmente não gosto de usar a farinha integral para massa de panquecas porque acho que fica muito pesado. Então, pra não ficar só aquela farinha branca sem muitos nutrientes, procuro sempre acrescentar linhaça e/ou gergelim na massa.

Vamos à receita!

Para os ingredientes:

[Massa]

1 xícara (chá) de farinha de trigo

1 xícara (chá) de água

1 ovo de galinha inteiro

2 colheres (sopa) de semente de linhaça marrom

Canela à gosto

[Recheio]

8 bananas prata

8 colheres (sobremesa) de mel

Para o preparo: Bata no liquidificador todos os ingredientes da massa por aproximadamente 5 minutos, garantindo que a massa fique bem homogênea. Aqueça uma frigideira média antiaderente e despeje uma concha média da massa. Quando a massa se soltar, vire-a com a ajuda de uma espátula até que os dois lados estejam bem dourados. Caso sua frigideira não seja antiaderente, unte-a com um fio de azeite de oliva ou o óleo vegetal de sua preferência. Cuidado pra não exagerar na quantidade de azeite!

Para o recheio, basta picar a banana em rodelas e regar com o mel. Se preferir, também pode amassar a banana e misturar com o mel para rechear.

Feche a massa na metade e sirva ainda quentinha!

O rendimento é de aproximadamente 8 panquecas.

Ressalto que a foto não está das melhores porque foi tirada com o celular, mas a tendência é melhorar!

Outra sugestão é que o recheio pode variar. Com geléia de frutas cítricas fica maravilhoso! Pra acompanhar numa manhã fria como a de hoje, sugiro um chá de laranja com cravo ou um café preto sem açúcar! Huuuum!

Bom dia pra vocês!

A JORNADA DA CONTRADIÇÃO

Quando fui embora da 8a. Jornada de Agroecologia em maio de 2009 existia uma inquietação dentro de mim. Me perguntava de que maneira a minha formação dentro do curso de Nutrição poderia contribuir na luta que eu vi estar se construindo dentro daqueles espaços. E hoje, dois dias depois de retornar de Londrina após a 10a. edição do evento, eu trago comigo a resposta.

Desde o primeiro dia de jornada eu observei como era grande o consumo de refrigerantes nos intervalos das mesas e especialmente durante o almoço. No terceiro dia de jornada eu e uma amiga, também futura nutricionista, comentávamos sobre a contradição: fala-se em produção de alimentos saudáveis mas não se pratica o consumo de alimentos saudáveis. E não digo isso só pelo consumo absurdo de refrigerantes, mas também por ver filas homéricas na cantina da Universidade no horário do almoço com as pessoas substituindo o almoço preparado nas cozinhas comunitárias (composto por arroz, feijão, carne e uma imensidão de hortaliças) por um salgado frito qualquer entupido de catchup e maionese.

Logo após o almoço fomos dar uma volta na feirinha ecológica com uma grande variedade de produtos: de livros e artesanatos até queijos, conservas e sementes. De repente, nos deparamos com uma barraquinha logo na entrada da feirinha vendendo produtos da Kraft, Coca-cola, Danone e outra imensidão de produtos oriundos das empresas que menos deveriam estar presentes ali.  Pra coroar os produtos e os vendedores vestindo a camisa literalmente da Agroecologia, uma embalagem de margarina Soya (produto da Bungue) servia como “caixa”. Seria cômico se não fosse trágico.

Passado o momento de fúria e incompreensão, procuramos pela coordenação da Jornada pra questionar a venda daqueles produtos ali. Tal foi o nosso choque ao ouvir que muitas vezes é preferível vender esses produtos e arrecadar o dinheiro do que deixar que as pessoas comprem de outro lugar – usando as palavras da pessoa com quem conversamos a justificativa era de que “elas vão comprar mesmo assim”.

Muita calma nessa hora, cara pálida! A partir do momento que se organiza um evento com um público de 4000 pessoas e que se coloca um posicionamento contra as transnacionais, contra o plantio de sementes transgênicas e uso de agrotóxicos e se propões lutar pela soberania alimentar, esse comportamento condescendente com esse tipo de situação não deveria acontecer. Me soa o auge da hipocrisia debater a produção limpa de alimentos mas por outro lado permitir que armem uma barraca dentro de uma feira ecológica e se permita a venda desse tipo de produto.

Não sou uma perfeita babaca e entendo que estamos inseridos dentro de um sistema e que em alguns momentos fica difícil querer fugir absolutamente do consumo de produtos de determinadas empresas mas num local onde se ergue uma bandeira vermelha a última coisa que deveria acontecer era a venda desse tipo de produto por parte das pessoas que compõe a estrutura do evento. A cantina estava ali e tava cumprindo o seu papel de vender e acumular. Se as pessoas optavam por comprar uma lata de coca-cola ao invés de um suco de uva natural, que era o mesmo preço e ainda vinha 150ml a mais, é porque falta formação.

E constatei, ao final da jornada, que a falta de formação não é só da enorme massa que estava presente durante aqueles quatro dias, mas também da pessoa com quem conversamos sobre o assunto que foi incapaz de se despedir de nós ao final da viagem, olhando de rabo de olho e com cara de desprezo. Tudo o que posso dizer é que sinto pena por saber que existem pessoas dentro da organização de eventos tão bons como é a Jornada de Agroecologia e que não conseguem absorver uma crítica como algo construtivo e não destrutivo. Nossa reclamação foi no intuito de compreender aquela situação e, ao perceber que falta a formação no “depois da colheita” tentar contribuir para fortalecer a luta. De que adianta pregar uma produção limpa e soberana se na hora de consumir a opção é a coca-cola e a coxinha frita em um óleo da Cargill?

A crítica por si só é muito fácil e vazia e não foi isso que fizemos. Percebemos algo que poderia ser diferente e levamos uma proposta pra ajudar a construir um mundo diferente. Por isso é que digo que voltei de Londrina com o coração em paz e com as forças restabelecidas porque consegui encontrar a resposta da pergunta que trouxe há dois anos atrás de Francisco Beltrão. É exatamente pra isso que vai servir ter estudado todos esses anos e debatido tanto sobre alimentação: pra ajudar a construir a concepção de alimentação saudável pra além da produção de alimentos. De sentar com essas pessoas e entender os porquês, o que determina as escolhas e tentar mostrar outros caminhos e outras possibilidades.

Apesar de ter voltado bastante decepcionada com algumas atitudes frente ao ocorrido, a Jornada foi maravilhosa! Os espaços de construção, as conversas informais durante os cafés e almoços valeram pra acrescentar muito! A construção é constante e são esses espaços que renovam as forças e fazem a gente perceber que o mundo precisa dos braços e pernas de todos.

As falas de Sebastião Pinheiro, Ademar Bogo e Álvaro Delatorre foram as que mais fizeram valer a pena a viagem! E sem a menor sombra de dúvidas, a fala da Aleida Guevara na mesa de encerramento me roubou lágrimas e sorrisos! Fiz um vídeo com os cinco minutos finais da fala dela, mas o som ficou bem ruim. Ainda estou tentando transcrever a fala dela pra o português pra poder colocar o vídeo na internet com a legenda pra ajudar a ouvir. Espero que na próxima semana já consiga ter feito isso.

Por hora é isso.

Fernanda.

“Não há outro caminho: ou a Revolução Socialista ou a caricatura da Revolução.”

Greve nas escolas… e um pouco de indignação.

Um pensamento a respeito da greve dos professores no Rio.

 ”Greve é bom?”

Greve É bom!
Porque são nestes momentos que percebemos a saturação das condições de trabalho da classe diante da luta por condições dígnas, melhores salários, jornadas de trabalhos condizentes, cumprimento do que é previsto na lei, dentre tantas outras coisas que assolam a educação. A greve não é só no Rio de Janeiro, toda a região nordeste está em greve desde o começo do ano e se até agora não voltaram as aulas é porque o exigido não foi feito (o mínimo) e torço para que se for necessário o Brasil todo pare. Assim, não só estudantes, seus pais e todos que já sentem a greve de perto, mas também o povo todo e todos os que já saíram da escola acordem para putaria que é, pro caos que é, e quem sabe o mundo todo também. Perder aula é o menor dos problemas com toda a certeza. Não sei se vocês chegaram a assistir a reportagem que passou no Fantástico há uns tempos atrás falando sobre a merenda escolar e toda a robalheira e precariedade que é. Engraçado agora assistir a propaganda medíocre do governo dizendo que a verba da merenda cresceu de 950 milhões para 3 bilhões de reais, um aumento de 131% por cabeça(ou estômago)… Ahh, pelo amor de Deus, aumentou pra que? Pra ter mais verba pra ser desviada? Pra ter mais verba pra parar no bolso de um bando de fi#%@& da p%#$ que nunca colocariam seus filhos numa escola pública porque sabem que é a instituição mais precarizada, desvalorizada e é claro, de maior capacidade de manipulação da massa. Porra… Um pouco de sangue nos olhos não faz mal a ninguém.
Hábraços fortes,
Cardoso.

Pra começar…

Já há algum tempo eu venho mastigando uma série de sabores e nem todos agradam ao paladar.

Quando entrei na faculdade de Nutrição, há quatro anos atrás, eu não podia imaginar o quanto o mundo se abriria pra mim. Acho que dei a sorte de conhecer as pessoas certas no momento certo, o que me possibilitou aguçar o paladar e perceber diferentes nuances dentro de um curso que ainda engatinha em muitos aspectos.

Com o lançamento da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida e depois de um final de semana no Encontro de Saúde Coletiva promovido pelo NESC – UFPR em que tive a oportunidade de ouvir a professora Raquel Rigotto na UFC em suas falas maravilhosas sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde do trabalhador da monocultura e da população em geral, eu voltei pra casa me remoendo por dentro e tentando organizar todos os pensamentos.

O fato é que, como futura nutricionista, o maior objetivo é promover e recuperar a saúde da população. Fala-se tanto em prato colorido, alimentação variada, pirâmide de alimentos e outros parâmetros para se falar sobre alimentação saudável que eu questiono: saudável até que ponto? Me orgulho imensamente da minha futura profissão, amo a Nutrição com a alma, mas fico triste ao ver colegas não pararem pra se questionar se o alimento contido na prescrição dietética ao paciente, se na compra dos alimentos para a Unidade de Alimentação e Nutrição e se o alimento oferecido na merenda escolar é de fato SAUDÁVEL. A variedade de alimentos existe, a qualidade microbiológica é garantida mas e a forma de produção desse alimento? Qual é a quantidade de veneno (ou defensivos agrícolas, para os que gostam de um eufemismo) que você está, indiretamente, prescrevendo pro seu paciente, ofertando na sua UAN e na merenda escolar? Qual é a saúde que o seu alimento (não) tem? Estou há um ano de me formar e sinto que vou sair da Universidade sem ouvir a resposta, ou mesmo o questionamento, de muitas das minhas futuras colegas de profissão. No entanto, a responsabilidade por esse questionamento não é só das futuras e futuros nutricionistas, mas de toda a população. Afinal, todos nós comemos, não é mesmo? Bom, ao menos todos deveriam comer e a FOME também está inserida nessa discussão.

Em meio as angústias tive a sorte de encontrar alguém que compartilha de todas elas comigo e toma tanto cuidado com o que consome quanto o que eu procuro ter. Meu companheiro de sonhos, de lutas, de dúvidas e agora de blog, que quando me disse: “As três coisas que matam o homem: o sal, o açúcar e a farinha branca”, me fez perceber que tinha encontrado alguém para dividir devaneios e buscar cada vez mais uma outra concepção de alimentação saudável, trabalhada na sua íntegra.

O prazer que sentimos em comer e em cuidar do que se come é o que tem feito, pouco a pouco, amadurecer a idéia de um restaurante que trabalhe todos os conceitos de alimentação saudável. Não sabemos se um dia os planos sairão do papel, mas o objetivo do blog é divulgar informações sobre alimentação, produção de alimentos e o seu impacto em diversos setores e outros assuntos pertinentes. Quem sabe a gente consiga fazer daqui um pequeno foco de discussão e de divulgação de informações.

Mas agora é hora de ir. Em breve saio de viagem para Londrina (PR), onde vai acontecer a 10a. Jornada de Agroecologia no campus da UEL. Volto sábado com informações e detalhes do evento.

Fernanda

“Hay hombres que luchan un día

y son buenos.

Hay otros que luchan un año

y son mejores.

Hay quienes que luchan muchos años

y son muy buenos.

Pero hay los que luchan toda la vida:

esos son los imprescindibles…”

(Bertold Brecht)